terça-feira, 8 de agosto de 2017

ANIMAIS PEÇONHENTOS - PICADAS DE ESCORPIÃO



Os escorpiões são animais pertencentes ao filo Arthropoda, que, junto às aranhas e carrapatos, formam o grupo dos aracnídeos. Assim como as aranhas, os escorpiões são responsáveis por vários acidentes. Esses animais utilizam o ferrão, localizado na sua cauda, para injetar o veneno.
De hábitos noturnos, os escorpiões geralmente são encontrados durante o dia escondidos embaixo de pedras, entulhos e cascas de árvores. São animais carnívoros que se alimentam principalmente de insetos e apresentam a grande capacidade de ficarem meses sem comida e água.
De uma maneira geral, a grande maioria não apresenta nenhum risco para o homem, uma vez que o veneno só é capaz de matar pequenos animais. Existem aproximadamente 25 espécies ao redor do mundo que apresentam veneno capaz de nos causar problemas. No Brasil, apenas espécies pertencentes ao gênero Tityus estão relacionadas com acidentes, dentre elas, três destacam-se como de maior importância médica: Tityus serrulatus, Tityus bahiensis e Tityus stigmurus.

Tityus serrulatus

A espécie T. serrulatus é a maior causadora de acidentes, sendo considerada o escorpião mais venenoso da América do Sul. Geralmente é encontrada solitária embaixo de cascas de árvores e em cupinzeiros. Caracteriza-se por apresentar coloração amarelo- clara, com manchas escuras sobre o tronco e no fim da cauda. Um detalhe bastante peculiar é a cauda, que possui uma espécie de serra no quarto anel. É encontrada na Bahia, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
A espécie T. bahiensis apresenta coloração marrom-escura, sendo que as patas e pedipalpos apresentam algumas manchas de coloração mais escura. Gosta de ficar sob pedras e troncos, podendo ser encontrada em locais que apresentam acúmulo de lixo. É encontrada em Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A espécie T. stigmurus apresenta coloração amarelo-escura, com uma faixa longitudinal mais escura na região mediana do cefalotórax e um triângulo negro na cabeça. Avistados principalmente em cupinzeiros, esses animais são encontrados na região Nordeste do país.
Além das espécies citadas, outros escorpiões do gênero Tityus são encontrados no Brasil, porém não estão relacionados com graves acidentes. O escorpião da espécie T. cambridgei apresenta todo o corpo com coloração escura, próxima ao negro, e é encontrado na região Amazônica. O T. metuendus apresenta coloração vermelho-escura com manchas alaranjadas e é encontrado no Amazonas, Acre e Pará. A espécie T. fasciolatus apresenta-se listrada de amarelo e preto, sendo encontrada em Goiás e no Distrito Federal.
Os acidentes podem ser classificados em leves, moderados e graves. Os acidentes leves causam praticamente dor e inchaço. Os acidentes moderados, apresentam dor local intensa associada a sintomas como sudorese, agitação, náusea, hipertensão, vômitos e taquicardia. Já os graves apresentam vômitos frequentes, náusea, sudorese profunda, agitação, hipertensão, tremores, espasmos, paralisias, convulsões, edema pulmonar agudo, coma, entre outros sintomas.
Caso seja picado por um escorpião, procure imediatamente um médico e, se possível, leve o animal, para que seja feita a identificação. O tratamento geralmente consiste no alívio da dor (anestésico) e na administração de soro antiescorpiônico ou antiaracnídico.
Para evitar acidentes, lembre-se sempre de andar calçado e não colocar a mão em buracos, embaixo de pedras e troncos de árvores. Mantenha sempre seu quintal e jardim limpos, evitando o acúmulo de entulhos.

domingo, 2 de julho de 2017

IDENTIFICAÇÃO E GERENCIAMENTO DE RISCOS: IMPLEMENTAÇÃO DE FERRAMENTA E TÉCNICAS DE GESTÃO NAS EMPRESAS.




 Autor: André Luiz Padilha Ferreira.

MBA em Formação Avançada em Consultores na Área de Recursos Humanos. Graduado em Gestão de Segurança Privada. Técnico de Segurança do Trabalho. Bombeiro Civil. Analista de Segurança em Riscos Empresariais e Corporativos. Auditor Interno em Normas: NBR 19001. NBR 19000. NBR 14001. NBR OSHAS 18001. Instrutor do Curso de Formação de Vigilante (Autorizado pelo departamento de Polícia Federal). Assessor e Consultor e Assessor Técnico em Gestão de Segurança do Trabalho e Gestão de Segurança Privada. Filiado ao Conselho Regional de Administração PA/AP.

1) RESUMO.

A cada passo que a “Humanidade” consegue dar em direção ao futuro e a superação de novos desafios que são detectados, a presença das ameaças e dos riscos, e de suas consequências e impactos positivos e negativos na atividade fim de cada empresa, e estes fatores são necessários nos processos de evolução do gerenciamento contínuo das ameaças e dos riscos em nossa vida pessoal e profissional em todos os aspectos, bem como de toda a sociedade. E também fazem parte do processo de desenvolvimento de novas formas de planejamento, e estão interligados diretamente aos novos processos da cadeia produtiva e na tomadas de decisão no âmbito das empresas em seu cotidiano.
Palavras-chave: Análise Preliminar de Riscos, Análise de Riscos, Análise de Riscos Qualitativa e Quantitativa.


2) ABSTRACT.

At every step Humanity is able to give in to the future and overcome new challenges that are detected, the presence of threats and risks, and their consequences and positive and negative impacts on the end activity of each company, and these Factors are necessary in the evolution processes of the continuous management of threats and risks in our personal and professional life in all aspects, as well as of the whole society. And they are also part of the process of developing new forms of planning, and are linked directly to the new processes of the productive chain and in the decision-making within the scope of the companies in their daily life.

Keywords: Preliminary Risk Analysis, Risk Analysis, Qualitative and Quantitative Risk Analysis.


3) INTRODUÇÃO.

A humanidade historicamente vem sobrepujando todas as ameaças que encontrou ao longo de sua história, guerras, epidemias biológicas (gripe espanhola, ebola e etc...), e também aprendendo com as catástrofes naturais e aprendendo a reconstruir instalações e criando novos métodos de detecção após estes eventos. Criamos e desenvolvemos as máquinas e as tecnologias que hoje são à base de nossa cadeia produtiva. No inicio de tudo forma empírica, na atualidade aplicamos as técnicas adequadas e continuamos a aprender com nossos próprios erros, e valorizando cada vez mais nos aprimorando com nossos acertos. A sobrevivência é o pilar de nosso desenvolvimento, os riscos e as suas consequências nocivas estão de fato está vinculado ao ser humano em suas várias fases (nascimento, desenvolvimento e morte).

Esse processo natural de aprender a identificar as possíveis ameaças e os riscos faz parte do processo de aprendizagem do ser humano (processo de cognição), através deste processo desenvolvemos técnicas de gerir as ameaças e criar mecanismos de autoproteção.

E tudo que aprendemos com nossos pais, em parte se aplicar em nossa vida pessoal e profissional, gerir os ativos tangíveis e intangíveis de empresa requer parte deste conhecimento adquirido, e é esse tipo de aptidão aliado a técnica de saber gerenciar os riscos empresariais que as grandes, médias e pequenas empresas estão em busca em um profissional. Alguém que de fato saiba identificar, mensurar (quantificar de forma qualitativa e quantitativa), e principalmente usar as técnicas para propor os mecanismos mais adequados de detecção e controle para atenuar as consequências e os impactos negativos dos riscos sobre a atividade fim do negócio, aí que se aplica a ferramenta de ANÁLISE DE RISCOS, que pode ser empregada em todas as empresas, aplicada a todos os tipos de atividades econômicas, e principalmente para todos os níveis de um processo produtivo, e para todos os níveis de planejamento de uma empresa (nível estratégico, níveis táticos e os vários tipos de níveis operacionais). Seja na esfera pública ou na esfera privada, gerenciar as ameaças para que não se transformem em riscos reais é uma questão de sobrevivência no mundo empresarial moderno. Charles Darwin, biologista e naturalista (escreveu sobre a teoria evolucionista, pesquisa realizada nas ilhas Galápagos, biologia, Evolução das Espécies, livros principais do naturalista) cita em sua tese que: a inteligência do Ser Humano é um dos principais fatores que geram aptidões (habilidades e competências) que favorecem a adaptabilidade do ser humano aos mais diversos tipos de ambientes. Em suma, a inteligência sobrepõe à força.

4) AVALIAÇÃO E ANÁLISE CRÍTICA DO CENÁRIO ATUAL EM QUE VIVEMOS.

Em um mercado globalizado e altamente tecnológico as empresas e os seus gestores obrigatoriamente devem ter uma visão holística e estar atualizados com relação às tendências que surgem a todo o instante, e saber procurar e/ou rastrear onde estão os principais riscos, as ameaças reais e também e as possíveis oportunidades, isso se chama pro-atividade, tratar de forma antecipada alguma situação indesejada e as suas possíveis repercussões nocivas, que de certo modo podem afetar a sua atividade fim.

Desta forma, as decisões estratégicas são tomadas sobre tudo com base na racionalidade, em dados reais e não tratadas ou remedidas com base na impulsividade momentânea que é gerada pelo sentimento medo. Na grande parte das crises, a ameaça principal deve ser no momento atual  gerenciada com toda cautela, porem são os efeitos, as consequências é que trazem flagelos, perdas e os danos financeiros, econômicos e materiais aos lucros de uma empresa.

Portanto, gerenciar riscos é saber que o efeito pós-crise é o mais nocivo, pois trás o efeito ondas ou dominó, que  podem ser muito mais prejudicial e devastadores que o próprio problema em si. Nos anos 70 a crise estava atrelada a bipolaridade entre as superpotências: EUA e USSA. Hoje uma crise concentrada na Grécia afetou mercados no além mar. E hoje com a globalização, processos tecnológicos interligados, mercados altamente competitivos e voraz, aliado ao fluxo da informação continua (bolsas de valores com evoluções alucinantes) potencializam ainda mais os efeitos negativos e positivos ao redor do globo terrestre nas mais variados tipos de mercados, consumidores e também influenciam na cadeia produtiva. Uma decisão equivocada pode colocar uma empresa em uma situação financeira caótica e um cenário onde as falhas são visualizadas como oportunidades vitais para alavancar vantagem competitiva junto as concorrentes de mercado. É por isso que para tipo de riscos existe a ferramenta de análise mais adequada.

5) ANÁLISE E GERENCIAMENTO DE RISCOS.

O modo empírico de se gerenciar as ameaças está fadado a desaparecer no mundo dos negócios, a identificação, análise e gerenciamento de riscos e ameaças devem estar calcados e alinhados com a metodologia técnica qualitativa e ou quantitativa, com base nas normas da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT), que gera conhecimento e disponibiliza esse produto final que são as NORMAS BRASILEIRAS APROVADAS (NBR’S), que podem auxiliar todos os profissionais e gestores no processo de ANÁLISE e GERENCIAMENTO DE RISCOS, com base nas seguintes NBR’S:

·         ABNT ISO NBR 31000 – Gestão de Riscos;

·         ABNT ISO NBR 31004 – Guia de Implementação da ISO NBR 31000;

·         ABNT ISSO NBR 3101 - Gestão de Riscos – Técnicas para avaliação de riscos.

Portanto não precisa salientar que analisar e gerenciar riscos estratégicos, táticos e os operacionais requer um pouco mais de conhecimento técnico e visão holística apurada para não se cometer erros primários na execução desta tarefa. E todas as técnicas podem ser aplicadas a qualquer tipo de atividade e ou processo (Gestão de Segurança do Trabalho. Gestão de Pessoas. Gestão de Processos Empresariais). Gestão Estratégica. Gestão de Segurança Contra Incêndios. Gestão de Segurança Patrimonial, em fim, tudo pode ser perfeitamente aplicado, desde que o elaborador tenha o cuidado de fazer as adaptações necessárias para cada tipo de cenário e ou atividade, respeitando as peculiaridades e as exigências legais para cada ramo de atividade.


6) CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS E AS TÉCNICAS BÁSICAS DE ANÁLISE E GERENCIAMENTO DE RISCOS QUE PODEM SER EMPREGADAS.

As técnicas a serem empregadas são simples, porém requer extrema atenção do ANALISTA DE RISCOS e da área de GERENCIAMENTO DE RISCOS para cada situação em especial. E será aplicada a seguinte legenda para facilitar a compreensão do público leitor de acordo com ISO/NBR 31010/2009:

AA – Altamente Aplicável;

A – Aplicável;

NA - Não Aplicável.

Exemplos de alguns tipos de riscos e análise de riscos e suas aplicabilidades: Quadro Sinótico.

Alguns Tipos de Riscos
Técnica
Aplicabilidade
Riscos Humanos
Análise de Confiabilidade Humana (HRA)
AA – Recomendada e empregada pela área de psicologia para identificar possíveis falhas comportamentais.
Riscos Operacionais
APP – Análise Preliminar de Riscos.
AA – Aplicada com sucesso na maioria das ocasiões por ser uma técnica simples e rápida de detecção de riscos e suas consequências.
Riscos Operacionais
HAZOP – Estudos de Perigo e Operabilidade.
AA – Aplicada com maior ênfase na parte de elaboração e revisão de projetos.
Riscos Operacionais
AST – Análise de Segurança de Tarefa
AA – Recomendada para tarefas operacionais da área de Segurança do Trabalho em campo.
Riscos Mercadológicos
SWOT
AA - Mais aplicada para planejamentos  e assuntos estratégicos da empresa para se saber os Pontos Fortes e Fracos. Oportunidades e Ameaças.
Riscos Operacionais
Check-List
AA – Altamente recomendada para a área operacional e tática. NA – Não recomendada para assuntos estratégicos.

Riscos Gerenciais. Riscos táticos e Operacionais.  
Análise de Riscos Ambientais
AA – Altamente recomendada para a área operacional e tática. AA – Aplicada e  recomendada para assuntos estratégicos, táticos e operacionais pois subsidia de forma clara a tomada de decisão.


7) CONSIDERAÇÕES FINAIS.

As ferramentas e técnicas a serem empregadas devem ser empregadas de acordo com o escopo de planejamento da empresa, entendimento (habilidades e competências adquiridas pelo profissional), atividade fim da empresa, e os riscos inerentes a cada função/atividade, possíveis cenários, até mesmo a aplicabilidade de cada técnica para casos concretos anteriores.

A NORMA ISO/DIS 22313:2012 (Societal Security – Business Continuity Management Systems).  Que trata sobre um tema de extrema relevância que é o PCN - Plano de Continuidade do Negócio (Continity Business Plan) com toda certeza pode diminuir os impactos dos riscos afetos a atividade fim e reduzir as possíveis perdas, danos e efeitos indesejados. Mais só poderá com êxito e ser operacionalizado se estiver apoiada em base sólida que é fornecida por uma ANÁLISE DE RISCOS consistente e realista. E feita por profissional “habilitado e qualificado” e com visão holística e pensamento proativo. A Visão de futuro sem esquecer os erros cometidos no passado, com a consciência de viver o presente com ações preventivas e não com ações reativas e/ou contingenciais.  

7.1) OUTRAS NORMAS ASSOCIADAS AO GESTÃO DE RISCOS.

ABNT tem uma coletânea de Normas Técnicas - Gestão Ambiental, da Segurança e Saúde no Trabalho e da Responsabilidade Social que podem ser empregadas na identificação e gerenciamento de riscos.

·         ABNT/NBR 16001:2012.
·         ABNT/NBR 18001:2010.
·         ABNT NBR 140012004.
·         ABNT NBR 26000:2010.

8) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APLICADAS.

AMORIM, Eduardo Lucena C. de. Apostila de Ferramentas de Análise de Risco. UNIFAL, Alagoas, 2010. Disponível em:
https://sites.google.com/site/elcaufal/disciplinas/programacao-estruturada Acessado em 02 de Julho de 2017. AS/NZS – Standards Australia/Standards New Zealand. AS/NZS 4360:2004 Risk

Management. Sydney: AS, 2004. Disponível em:
file:///C:/Users/curitiba/Downloads/Risk%20Management%20Guidelines%20Companion%20to%20AS%20NZS%204360%202004.pdf Acessado em 02 de Julho de 2017.  

ABNT ISO NBR 31000 – Gestão de Riscos.

ABNT ISO NBR 31004 – Guia de Implementação da ISO NBR 31000.

ABNT ISSO NBR 31010 - Gestão de Riscos – Técnicas para avaliação de riscos.
                  



André Luiz Padilha Ferreira
Consultor e Assessor Técnico

Segurança Empresarial (SE), Segurança e Saúde do Trabalhador (SST) e Segurança Contra Incêndio (SCI).


Fone(s): (91) 98139-6085 / (91) 99366-3921. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

SINDROME DE BURNOUT.





A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, Algo como queimar por completo), também chamada de Síndrome do esgotamento Profissional, foi assim denominada pelo psicanalista nova-iorquino Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970.

A palavra síndrome designa um conjunto de sintomas, que podem ser físicos, psíquicos, de comportamento etc. No caso da Síndrome de Burnout, os sintomas mais expressivos são: crescimento da fadiga constante, distúrbios de sono, dores musculares, dores de cabeça e enxaquecas, problemas gastrointestinais, respiratórios, cardiovasculares. Em mulheres, as alterações no ciclo menstrual são um sintoma físico importante. Além desses, existem sintomas psicológicos como: dificuldade de concentração, lentificação ou alteração do pensamento, sentimentos negativos sobre o viver, trabalhar e ser, impaciência, irritabilidade, baixa autoestima, desconfiança, depressão, em alguns casos paranoia.



Quais podem ser as causas?

As causas da Síndrome de Burnout compreendem um quadro multidimensional de fatores individuais e ambientais, que estão ligadas a uma percepção de desvalorização profissional. Isso significa dizer que não se pode reduzir a causa a fatores individuais como a personalidade ou algum tipo de propensão genética. O ambiente de trabalho e as condições de realização deste podem também determinar o adoecimento ou não do sujeito.

Alguns autores afirmam que a configuração do caso de Burnout passaria por estágios que vão desde uma necessidade de autoafirmação profissional, passando por estágios comuns de intensificação da dedicação ao trabalho que, levada a consequências extremas, resultaria no esgotamento característico da síndrome. Entre outros estágios, podemos destacar o caminho que passa pelo descaso crescente com relação às atividades de cuidado de si, como comer e dormir, acompanhado por um recalque de conflitos, caracterizado pelo não enfrentamento de situações que incomodam e pela negação dos problemas. Além desses, o sujeito passa por um processo de reinterpretação que faz com que coisas importantes sejam descartadas como inúteis.

Nesse quadro, já se pode falar em uma espécie de despersonalização, uma vez que o sujeito age de formas tão distintas que se torna “outra pessoa”, marcada por sinais de depressão, desesperança e exaustão, ou seja, uma espécie de colapso físico e mental que pode ser considerado quadro de emergência médica ou psicológica.

A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a autoestima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com satisfação e prazer termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio, a necessidade de se afirmar e o desejo de realização profissional se transformam em obstinação e compulsão; o paciente nesta busca sofre, além de problemas de ordem psicológica, forte desgaste físico, gerando fadiga e exaustão. É uma patologia que atinge membros da Área da Saúde, Segurança Pública, setor bancário, Educação, Cartorários, Tecnologia da informação, Gerentes de Projetos, profissionais da saúde em geral, jornalistas, advogados, bioquímicos, professores e até mesmo voluntários.


Estágios
São doze os estágios de Burnout:
  • Necessidade de se afirmar ou provar ser sempre capaz
  • Dedicação intensificada - com predominância da necessidade de fazer tudo sozinho e a qualquer hora do dia (imediatismo);
  • Descaso com as necessidades pessoais - comer, dormir, sair com os amigos começam a perder o sentido;
  • Recalque de conflitos - o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas;
  • Reinterpretação dos valores - isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da autoestima é o trabalho;
  • Negação de problemas - nessa fase os outros são completamente desvalorizados, tidos como incapazes ou com desempenho abaixo do seu. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes;
  • Recolhimento e aversão a reuniões (recusa à socialização);
  • Mudanças evidentes de comportamento (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor);
  • Despersonalização (evitar o diálogo e dar prioridade aos e-mails, mensagens, recados etc);
  • Vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante;
  • Depressão - marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;
  • E, finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência e a ajuda médica e psicológica uma urgência.

Sintomas

Os sintomas são variados: fortes dores de cabeça, tonturas, tremores, muita falta de ar, oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e problemas digestivos. Segundo Dr. Jürgen Staedt, diretor da clínica de psiquiatria e psicoterapia do complexo hospitalar Vivantes, em Berlim, parte dos pacientes que o procuram com depressão são diagnosticados com a síndrome do esgotamento profissional. O professor de Psicologia do comportamento Manfred Schedlowski, do Instituto Superior de Tecnologia de Zurique (ETH), registra o crescimento de ocorrência de "Burnout" em ambientes profissionais, apesar da dificuldade de diferenciar a síndrome de outros males, pois ela se manifesta de forma muito variada: "Uma pessoa apresenta dores estomacais crônicas, outra reage com sinais depressivos; a terceira desenvolve um transtorno de ansiedade de forma explícita", e acrescenta que já foram descritos mais de 130 sintomas do esgotamento profissional.

Burnout é geralmente desenvolvida como resultado de um período de esforço excessivo no trabalho com intervalos muito pequenos para recuperação. Pesquisadores parecem discordar sobre a natureza desta síndrome. Enquanto diversos estudiosos defendem que Burnout refere-se exclusivamente a uma síndrome relacionada à exaustão e ausência de personalização no trabalho, outros percebem-na como um caso especial da depressão clínica mais geral ou apenas uma forma de fadiga extrema (portanto omitindo o componente de despersonalização).

Trabalhadores da área de saúde são frequentemente propensos ao burnout. Os médicos parecem ter a proporção mais elevada de casos de burnout (de acordo com um estudo recente no Psychological Reports, nada menos que 40% dos médicos apresentavam altos níveis de burnout). Cordes e Doherty (1993), em seu estudo sobre esses profissionais, encontraram que aqueles que tem frequentes interações intensas ou emocionalmente carregadas com outros estão mais suscetíveis.

Os estudantes são também propensos ao burnout nos anos finais da escolarização básica (ensino médio) e no ensino superior; curiosamente, este não é um tipo de burnout relacionado com o trabalho, mas com o estudo intenso continuado com privação do lazer, de actividades lúdicas, ou de outro equivalente de fruição hedónica. Talvez isto seja melhor compreendido como uma forma de depressão. Os trabalhos com altos níveis de stress ou consumição podem ser mais propensos a causar burnout do que trabalhos em níveis normais de stress ou esforço. Profissionais de TI, cientistas, policiais, taxistas, bancários, controladores de tráfego aéreo, engenheiros, músicos, professores e artistas parecem ter mais tendência ao burnout do que outros profissionais.


A Síndrome de "Burnout" em Professores

A burnout de professores é conhecida como uma exaustão física e emocional que começa com um sentimento de desconforto e pouco a pouco aumenta à medida que a vontade de lecionar gradualmente diminui. Sintomaticamente, a burnout geralmente se reconhece pela ausência de alguns fatores motivacionais: energia, alegria, entusiasmo, satisfação, interesse, vontade, sonhos para a vida, idéias, concentração, autoconfiança e humor.
Um estudo feito entre professores que decidiram não retomar os postos nas salas de aula no início do ano escolar na Virgínia, Estados Unidos, revelou que entre as grandes causas de estresse estava a falta de recursos, a falta de tempo, reuniões em excesso, número muito grande de alunos por sala de aula, falta de assistência, falta de apoio e pais hostis. Em uma outra pesquisa, 244 professores de alunos com comportamento irregular ou indisciplinado foram instanciados a determinar como o estresse no trabalho afetava as suas vidas. Estas são, em ordem decrescente, as causas de estresses nesses professores:
  • Políticas inadequadas da escola para casos de indisciplina;
  • Atitude e comportamento dos administradores;
  • Avaliação dos administradores e supervisores;
  • Atitude e comportamento de outros professores e profissionais;
  • Carga de trabalho excessiva;
  • Oportunidades de carreira pouco interessantes;
  • Baixo status da profissão de professor;
  • Falta de reconhecimento por uma boa aula ou por estar ensinando bem;
  • Alunos barulhentos;
  • Lidar com os pais.
Os efeitos do estresse são identificados, na pesquisa, como:
  • Sentimento de exaustão;
  • Sentimento de frustração;
  • Sentimento de incapacidade;
  • Carregar o estresse para casa;
  • Sentir-se culpado por não fazer o bastante;
  • Irritabilidade.
As estratégias utilizadas pelos professores, segundo a pesquisa, para lidar com o estresse são:
  • Realizar atividades de relaxamento;
  • Organizar o tempo e decidir quais são as prioridades;
  • Manter uma dieta equilibrada ou balanceada e fazer exercícios;
  • Discutir os problemas com colegas de profissão;
  • Tirar o dia de folga;
  • Procurar ajuda profissional na medicina convencional ou terapias alternativas.
Quando perguntados sobre o que poderia ser feito para ajudar a diminuir o estresse, as estratégias mais mencionadas foram:
  • Dar tempo aos professores para que eles colaborem ou conversem;
  • Prover os professores com cursos e workshops;
  • Fazer mais elogios aos professores, reforçar suas práticas e respeitar seu trabalho;
  • Dar mais assistência;
  • Prover os professores com mais oportunidades para saber mais sobre alunos com comportamentos irregulares e também sobre as opções de programa para o curso;
  • Envolver os professores nas tomadas de decisão da escola e melhorar a comunicação com a escola.

Como se pode ver, o burnout de professores relaciona-se estreitamente com as condições desmotivadoras no trabalho, o que afeta, na maioria dos casos, o desempenho do profissional. A ausência de fatores motivacionais acarreta o estresse profissional, fazendo com que o profissional largue seu emprego, ou, quando nele se mantém, trabalhe sem muito apego ou esmero.

Um dos principais fatores encontrados da origem do burnout, foi a falta de controle sobre o trabalho. Faz-se necessário, ainda, acrescentar que nos territórios da Saúde, a Síndrome de Burnout adquire aspectos mais complexos pelo fato de agregar valores oriundos dos sistemas de saúde que se alimentam de perspectivas utópicas que interferem, diretamente, no trabalho do enfermeiro. Currículos, diretrizes, orientações e demais processos burocráticos acabam por disseminar discussões que sempre acabam acumulando estresse nas práticas profissionais e, consequentemente, envolve o enfermeiro e sua práxis. A sociedade, por sua vez transfere responsabilidades extras ao enfermeiro, sobrecarregando-o e inculcando-lhe papéis que não serão desempenhados com a competência necessária.

Cada dia mais se agrega mais atividades para o enfermeiro nas instituições e os processos de qualidade inserem cada vez mais itens a serem checados, também há a desvalorização salarial e a sobrecarga horária a que são submetidos, fazendo com que os enfermeiros não respeitem individualmente um período de repouso entre uma jornada e outra, acumulando empregos e chegando a trabalhar 36 e 48 horas ininterruptas, com repousos de 1 a 2 horas no máximo entre as jornadas de 12 horas.

 
Fonte: Revista Viver Mente e Cérebro, edição 161, junho de 2006.


Adaptações e imagens: André Padilha.

Técnico de Segurança do Trabalho. 
Bombeiro Civil.
Analista de Riscos em Segurança Empresarial e Corporativo.

Quem sou eu

Belém, Pará, Brazil
Técnico de Segurança do Trabalho (Bombeiro Civil), Analista de Segurança em Riscos Empresariais e Corporativos, Graduado a nível de Tecnólogo em Gestão de Segurança Privada com Pós-Graduação em Recursos Humanos.

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